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quarta-feira, 3 de julho de 2013

"Malvela" ou a partilha de vivências luso-galegas

Galiza e Portugal nunca estiveram tão 
próximos e, exemplos existem de sobra, ao nível de uma ligação geográfica, cultural e até em muitos casos de familiaridade, entre as duas margens do rio Minho.

Os elementos que agora aqui trazemos são mais um dos bons exemplos dessa ligação cultural, mas também de amizade e trabalho conjunto em torno de um relacionamento lato, duradouro, aprofundado e com usufruto para os dois "braços" deste território...  Vejamos então!

«Malvela» é um grupo de vozes da tradição. As canções que vêm da terra cantadas por «Malvela»... E a Galiza aqui tão perto... efectivamente. 
Diria até que se sente e vive a mesma cultura, de um e outro lados desse caminho de águas... Castro Galaico Festival de Nogueiró (já no concelho de Braga) vive por estes dias essa realidade, juntando galegos e lusitanos artistas num mesmo cenário ou palco. E não é de hoje esta ligação, antes se repete ano após ano, edição a edição do evento. 

«Raianas»
O mais recente trabalho discográfico do grupo "Malvela", por sinal gravado ao vivo, que por si só já é sintomático dessa partilha da música, independentemente do lado que se considere ser o palco - artistico e da vida, intitula-se "Raianas".
Oriundo da aldeia da Sanguiñeda  (Mos ) na  Galiza,  acaba por ser a continuidade de um trabalho, continuado e sequencial, deste conjunto de cantadeiras, qual viagem pela música de ambas as margens do rio Minho, a tal "fronteira" natural entre a Galiza e Portugal mas que nada impede, bem pelo contrário, de meio de aproximação entre os dois povos.   

Contendo temas tradicionais, a que se vieram juntar canções novas, sem deixar de incluir, alguns dos maiores êxitos do grupo «Malvela» esta é uma aposta centrada na ambiência raiana e na ligação destes povos irmãos. Diferente não será então a mensagem que as "senhoras" cantadeiras trazem aos espectáculos, na linha aliás do feito na discografia editada. E já são quatro as obras de "Malvela", um grupo musical, mas que vai muito para lá disso mesmo constituindo uma das propostas mais atractivas da musica galega, muito por força da enorme capacidade dos seus elementos e do todo em particular em se ligar, em inter-agir com públicos de idades e procedências diversas.

A isso não será alheia a sua composição, mulheres simples, divertidas, boas vozes e com idades que vão dos trinta e pico até mais de oitenta, o que faz toda a diferença. Se lhes juntarmos a força e convicção natural deste conjunto de mulheres quando canta, ou sobe a palco, tornando a actuação numa enorme e contagiante festa. E aqui está, se assim se pode chamar o "segredo" de Malvela. 

Discografia
«Raianas» é o mais recente álbum, gravado ao vivo, qual homenagem do grupo ao seu povo e fãs, poderemos dizer mas também "um manifesto agradecimento" ao trabalho realizado desde a criação do grupo, na aldeia de Sanguiñeda comarca de Pontevedra. 
Para trás ficaram então « Que o pano non me namora» o primeiro álbum datado de 2002, ao qual se seguiria «O Aghinaldo - (2004) e «Da miña xanela á túa» saído em 2007.

Composição 

Importa referir a composição do grupo Malvela  pois numa aldeia conhecem-se as "as señoras" Carmen, de 86 anos, Silvina, Fita, Clara, Carmiña, Carmen, Lina, Maruxa, Aurita, Dina, Teresa y Adela (vozes), Ana Senlle (voz, pandeireta y dirección vocal), Gustavo Domínguez (acordeón y arreglos), Sérgio Tannus (Guitarra, cavaquiño y viola caipira), Raquel Domínguez, por sinal a mais nova do grupo com 32 anos (gaitas y flautas), Anxo Pardo (tambor, pandeireta y castanholas) y Pablo Ces (no bombo).

e Amigos
Os amigos são importantes e de que maneira pelo que às cantadeiras se juntam habitualmente os músicos e cantores como Uxía, Carlos Blanco, Nuria Freiría, Oli Xiráldez assim como a poetisa de Mos - María Magdalena.

Dizer da história que «Cuando un grupo de mujeres se anotó en el curso sobre cantos populares,  dirigido por la trovadora gallega Uxía Senlle en la aldea de Sanguiñeda (Mos) nadie presagiaba cuál iba a ser el resultado»
Aquela actividade acabaría na criação de Malvela, un divertimento que «iría mucho más allá hasta grabar discos, montar espectáculos, hacer giras más allá de nuestras fronteras y sorprender en el panorama musical gallego».

E qual continuidade Uxía Senlle, directora artística del proyecto, acrescenta  que “Se trata de hacer visiviles los vínculos, a identidad histórica y lingüística entre las dos orillas del Miño, padre de Galicia. Esos vínculos se concretan en forma de disco 'raiano', que pretende ser una herramienta excepcional para que Galicia y el norte de Portugal tengan a través de la música relaciones cada vez más estrechas, como un 'matrimonio' de amor interesado”.

Viva a música...Cantemos con  Malvela, Gracias a  nuestros hermanos de Galicia!!!