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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Inti Illimani abrem novos "Camiños"

Se pensava que após 60 anos já não era possível trilhar grandes ou novos "Camiños", enganou-se redondamente. E a prova está aí... com os icónicos «Inti Illimani».  A verdade é que a "agrupacion chilena tem um novo single, acabadinho de saír. E, a juntar a este tema e videoclip, está na estrada e nos palcos das americas, para já até final de 2026, um novíssimo (e mui esperado) álbum, intitulado precisamente #Camiños". 


Assinalar seis décadas de uma carreira, recheada de episódios, de lutas, de viagens, onde o êxilio, o sofrimento, a morte e todas as vivências muito impactantes, não apenas no dia a dia deste maravilhoso grupo de músicos, mas sobretudo para o Chile, o seu povo, bem como para toda aquela região do globo - é obra !

Percorrido todo este tempo, brindando-nos com mais este trabalho discográfico que importa louvar e relevar. A sua edição vem provar que os «Inti Illimani» continuam bem vivos, unidos, criativos, sem nunca terem abandonado as suas raízes, mas dando novos caminhos a uma sonoridade e ritmos que constituem identidade ímpar e muito própria, da banda chilena !

Obra discográfica é, aliás, coisa que não falta aos "Inti Illimani" que lançaram o seu primeiro trabalho discográfico, recorde-se no ano de 1968 (Por la CUT). Daí para cá nunca mais deixaram de fazer canções, tours, shows e discos, ao ritmo de um /dois trabalhos por ano (em média). Contabilizam por isso uma obra memorável de 53 trabalhos discográficos, maioritariamente em vinil, com Capas, coloridas, belas, sintomáticas do conteúdo e da forte ligação da 'agrupacion' ao tempo e às suas origens, diria mesmo cobiçadas por qualquer coleccionador digno de assim se considerar. Acrescento mesmo que a obra discográfica dos "Inti Illimani" faz parte do Património musical e cultural do Chile e de toda a américa latina. 


 Aqui, ficam apenas três exemplos, de Capas de vinis da banda chilena! 



«Camiños es un punto de partida del nueva viaje musical de Inti Illimani, que assinala a celebracion de 60 años de história de la agrupacion.  Con uña poética cargada de imagénes, Camiños mezcla instrumentso latinoamericanoss de viento y cuerdas, con la profundidad de las percussiones afrocubanas, reflejando en ello el encuentro y la propia história de sus integrantes.»

Este é um trabalho, há muito esperado, já que a banda não edita desde 2017, pese embora tenha feito vários concertos, no seu país e na europa, numa parceria com o italiano "Giulio Wilson" onde o tema «Água» no presente e futuro é o grande foco e de uma grande atualidade, mas que os media e os políticos, não dão a menor importância.

Ao manterem o diálogo com as origens os "Inti Illimani"  neste novo álbum, abrem portas ao futuro, trazendo um som mais fresco, mas sempre contagiante. Quer na vida quer na  carreira deste exímio conjunto de músicos, cujos espectáculos continuam a ser 'momentos' imperdíveis e de repetição diria impossível. É que a cada show, em diferentes países e palcos é sempre uma dose de memórias e de esperança, num tempo e mundo diferente que será possível alcançar...

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Drexler " brinda " público em português

Jorge Drexler tem um novo álbum em apresentação. Já dele aqui falámos...

https://latinidades-latinidades.blogspot.com/2026/07/drexler-criativo-em-taraca.html

Uma "gira" por esse mundo fora, com o foco em «Taracá» tem agendada a subida aos palcos de diferentes salas de espectáculos entre as quais o Coliseu dos Recreios, em Lisboa. 

Um álbum que aproxima gerações e geografias, estilos e tempos, o concreto e o simbólico. TARACÁ encontra no candombe uruguaio o seu fio condutor, colocando a palavra e a percussão no centro da maioria das composições. O novo espetáculo transporta esse universo para o palco através de uma nova conceção cénica, com Jorge Drexler acompanhado por sete músicos.

O décimo quinto trabalho de estúdio do músico, brinda-nos com os ritmos e um crurioso jogo de palavras, que marcam a identidade muito própria e bem definida de Jorge Abner Drexler, o médico otorinolaringologista que deixou a actividade científica para se dedicar em pleno à música e que música, que já valeu ao cantor e compositor vários Grammys.

Apaixonado pelas palavras e pela tradição da décima (uma forma poética tradicional da literatura ibérica e latino-americana, composta por dez versos e muito presente da tradição oral), Jorge Drexler desenvolveu uma linguagem própria que explora a emoção, apelando à empatia e aos laços que unem pessoas, culturas e sociedades.

Dessa identidade ímpar de Drexler, fazem parte os temas, os sons, os ritmos, as preocupações relativamente à sociedade em que nos inserimos, bem como as origens do cantor, com  tudo o que isso significa.

Direta e indiretamente as melodias refletem essa panóplia de realidades e vivências de Jorge Drexler  que manifesta influências, amizades e ligações do seu berço de nascimento e formação (pessoal e profissional), por exemplo, aos Beatles, a Caetano Veloso, ao Brasil e porque não dizê-lo de uma certa forma, também ao português. Ora é aqui que surgem, bem a propósito, as parcerias do Uruguajo com  músicos portugueses, com duetos marcantes, amizades de longa data e pontes entre o fado, a pop music e a bossa nova. Marisa Monte, Salvador Sobral, Susana Félix, Luis Caracol e a admiração por António Zambujo são nomes admirados pelo cantautor, nascido em Montevideo. 

Uma das primeiras e mais icónicas aproximações ao território português aconteceria com a cantora Susana Felix. No álbum Procura-se, editado em 2011, a artista convidou Drexler para gravar uma versão bilingue de um dos seus maiores clássicos, "La edad del cielo". O resultado está em "A Idade do Céu", uma fusão poética em espanhol e português.

O músico e compositor Luiz Caracol, conhecido pelas suas fortes ligações à lusofonia, contou com a participação especial de Jorge Drexler no seu álbum de estreia, no ano de 2013, intitulado precisamente "Devagar". Drexler colaborou na escrita e emprestou a voz, consolidando a ponte transatlântica que tanto aprecia.

Salvador Sobral, sempre manifestou beber muito do universo musical de Drexler. Admiração e vontade de gravarem juntos veio a concretizar-se em Madrid com a belíssima canção "Al Llegar", lançada como single de avanço do álbum «Timbre» de Sobral lançado em 2023. Trata-se de uma balada íntima que une perfeitamente as vozes melancólicas e expressivas de ambos os artistas.

Falar de parcerias leva-nos a mencionar também Marisa Monte que acabaria por compor em conjunto com Drexler "Vento Sardo" que cantaram juntos, numa viagem de barco na Sardenha. A faixa conquistou o prestigioso prémio de Melhor Canção em Língua Portuguesa nos Grammy Latinos.

A paixão de Jorge Drexler pelo Brasil é igualmente profunda ao ponto de Drexler ter recorde-se aprendido a dominar a harmonia do violão brasileiro, graças ao álbum Totalmente Demais, de Caetano Veloso, no qual participou.