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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Drexler " brinda " público em português

Jorge Drexler tem um novo álbum em apresentação. Já dele aqui falámos... https://www.blogger.com/blog/post/edit/5827278605626286300/7528600503180500196

Uma "gira" por esse mundo fora, com o foco em «Taracá» tem agendada a subida aos palcos de diferentes salas de espectáculos entre as quais o Coliseu dos Recreios, em Lisboa. 

Um álbum que aproxima gerações e geografias, estilos e tempos, o concreto e o simbólico. TARACÁ encontra no candombe uruguaio o seu fio condutor, colocando a palavra e a percussão no centro da maioria das composições. O novo espetáculo transporta esse universo para o palco através de uma nova conceção cénica, com Jorge Drexler acompanhado por sete músicos.

O décimo quinto trabalho de estúdio do músico, brinda-nos com os ritmos e um crurioso jogo de palavras, que marcam a identidade muito própria e bem definida de Jorge Abner Drexler, o médico otorinolaringologista que deixou a actividade científica para se dedicar em pleno à música e que música, que já valeu ao cantor e compositor vários Grammys.

Apaixonado pelas palavras e pela tradição da décima (uma forma poética tradicional da literatura ibérica e latino-americana, composta por dez versos e muito presente da tradição oral), Jorge Drexler desenvolveu uma linguagem própria que explora a emoção, apelando à empatia e aos laços que unem pessoas, culturas e sociedades.

Dessa identidade ímpar de Drexler, fazem parte os temas, os sons, os ritmos, as preocupações relativamente à sociedade em que nos inserimos, bem como as origens do cantor, com  tudo o que isso significa.

Direta e indiretamente as melodias refletem essa panóplia de realidades e vivências de Jorge Drexler  que manifesta influências, amizades e ligações do seu berço de nascimento e formação (pessoal e profissional), por exemplo, aos Beatles, a Caetano Veloso, ao Brasil e porque não dizê-lo de uma certa forma, também ao português. Ora é aqui que surgem, bem a propósito, as parcerias do Uruguajo com  músicos portugueses, com duetos marcantes, amizades de longa data e pontes entre o fado, a pop music e a bossa nova. Marisa Monte, Salvador Sobral, Susana Félix, Luis Caracol e a admiração por António Zambujo são nomes admirados pelo cantautor, nascido em Montevideo. 

Uma das primeiras e mais icónicas aproximações ao território português aconteceria com a cantora Susana Felix. No álbum Procura-se, editado em 2011, a artista convidou Drexler para gravar uma versão bilingue de um dos seus maiores clássicos, "La edad del cielo". O resultado está em "A Idade do Céu", uma fusão poética em espanhol e português.

O músico e compositor Luiz Caracol, conhecido pelas suas fortes ligações à lusofonia, contou com a participação especial de Jorge Drexler no seu álbum de estreia, no ano de 2013, intitulado precisamente "Devagar". Drexler colaborou na escrita e emprestou a voz, consolidando a ponte transatlântica que tanto aprecia.

Salvador Sobral, sempre manifestou beber muito do universo musical de Drexler. Admiração e vontade de gravarem juntos veio a concretizar-se em Madrid com a belíssima canção "Al Llegar", lançada como single de avanço do álbum «Timbre» de Sobral lançado em 2023. Trata-se de uma balada íntima que une perfeitamente as vozes melancólicas e expressivas de ambos os artistas.

Falar de parcerias leva-nos a mencionar também Marisa Monte que acabaria por compor em conjunto com Drexler "Vento Sardo" que cantaram juntos, numa viagem de barco na Sardenha. A faixa conquistou o prestigioso prémio de Melhor Canção em Língua Portuguesa nos Grammy Latinos.

A paixão de Jorge Drexler pelo Brasil é igualmente profunda ao ponto de Drexler ter recorde-se aprendido a dominar a harmonia do violão brasileiro, graças ao álbum Totalmente Demais, de Caetano Veloso, no qual participou. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Lafourcade - embaixadora do Folclore Mexicano

Natália Lafourcade é uma das artistas mais influentes da música latino-americana dos nossos dias. 

Razões podemos assim dizer, o facto de juntar o pop alternativo â preservação do folclore mexicano. E o sucesso surgiu levando a jovem cantora ao top dos tops, sendo hoje uma das mulheres mais premiadas na história do Grammy Latino, vencendo categorias de prestígio como Álbum do Ano por trabalhos como «Hasta la Raíz» datado de 2015. Um disco profundamente pessoal, focado na cura, no desgosto amoroso e na ligação à sua terra natal - Veracruz.

Igualmente premiado é «Un Canto por México Volume 1» que venceu o prémio máximo como Álbum do Ano no Grammy Latino em 2020, mas também o Grammy Award de Melhor Álbum de Música Regional Mexicana em 2021. Ora é nesse ano, com o Volume 2, de que Natália Lafourcade recebe multiplas nomeações e conquista mais um Grammy, mas agora na edição de 2023.

Realçar aqui, que este trabalho discográfico nasce a partir de um concerto solidário, realizado em novembro de 2019. O objetivo principal era angariar fundos para a reconstrução do Centro de Documentación del Son Jarocho em Jáltipan de Morelos (Veracruz)

Um edifício cultural, essencial aliás, para a preservação da música tradicional mexicana, que tinha sido severamente danificado pelos fortes sismos que atingiram o sul do México em setembro de 2017. Espectáculo e disco estiveram na origem deste conjunto de êxitos numa homenagem de Maria Natália Lafourcade Silva às suas raízes. Esta verddadeira carta de amor à riqueza folclórica do México, traz-nos os géneros tradicionais como o son jarocho, o bolero, a ranchera e a música mariachi, aliadas à sensibilidade e estilo pop contemporâneo de Lafourcade. Reconhecidamente a cantora e compositora mexicana ganha fãs e prémios no seu país e no mumdo latino que também têm o contributo de artistas novos e de reconhecida valia como Los Cojolites, precisamente o grupo nativo de son jarocho e um dos pilares do centro cultural apoiado, a que se juntaram Jorge Drexler, Caetano Veloso, Mon Laferte, Carlos Rivera, Silvana Estrada e Pepe Aguilar. 

Outra das grandes referências musicais de Natalia Lafourcade é o trabalho discográfico realizado com a dupla de exímios guitarristas -Los Macorinos, que homenageia o folclore latino-americano. «Musas» assim se chama este enorme êxito dado a conhecer em 2017-2018. Criativa, encantadora, melodiosa Natalia lança em 2022 «De Todas las Flores» o seu primeiro álbum de originais, em sete anos, fortemente aclamado pela crítica o9nde se funde o jazz, com a bossa nova e o drama teatral.


Nascida em 1984 no seio de uma família de músicos
, Natalia Lafourcade cresceu em Veracruz, cercada por arte. Ao longo de mais de duas décadas de carreira, passou  de uma jovem promessa do indie pop mexicano para grande embaixadora cultural de excelência deste país e das suas tradições

A sua obra é marcada pela voz doce e poética de Natália Lafourcade aliada a arranjos acústicos ricos além dessa capacidade única de resgatar o passado musical da América Latina, apresentado de forma fresca, às novas gerações.

domingo, 23 de agosto de 2026

Sol y LLuvia, antologia de resistência

Sol y Lluvia é uma das bandas mais populares e emblemáticas do Chile. Com 8 albuns de estúdio, lançados desde 1980, ainda mais 4 trabalhos discográficos saídos de concertos ao vivo a banda de Santiago, acaba de fazer o lançamento do Album /antologia «Canté a la vida, canté al amor» que marca aliás a tour deste ano, comemorativa, precisamente dos 45 anos de carreira, feita de muita estrada e um número significativo de êxitos, que todos os amantes da música latina bem conhecem !



As origens de Sol y Lluvia, remontam ao ano de 1975, altura a partir da qual e através de sangrento golpe militar, se instala no poder, Augusto Pinochet. A ditadura iria exigir muita coragem e enorme resistência, para manter vivas coisas tão básicas como o direito à vida, a trabalhar ou a partilhar essa energia imensa e essencial que é a música.

Os irmãos Amaro, Charles e Jonny Labra, o primeiro dos quais ainda lidera a formação chilena, foram os fundadores desta "agrupácion" que curiosamente surge num altelier de serigrafia, na capital do país - Santiago, onde se juntavam, família e amigos para criar arte e também composições, que ainda hoje são marcos do cancioneiro popular latino-americano... 


Fazendo música a partir da combinação da guitarra acústica, com uma percussão onde surgem os bombos e ""Kultrunes"", ou seja os tambores tradicionais do povo Mapuche e também o baixo elétrico os "Sol y Lluvia", foram criando um estilo muito próprio, com uma sonoridade, facilmente reconhecida e contagiante. 
Razões são de facto a base, dos Sol y Lluvia, assente na história, nas tradições e vivências dos Chilenos, tendo ao longo da sua longa carreira, percorrido milhares de kilómetros. Encheram um sem número de impensáveis espaços e salas, passsaram por variados palcos, um pouco por todo mundo, sendo hoje percorridos que estão 45 anos de carreira, uma das maiores referências do folk-rock latino-americano.

 
De salientar que ao invés dos Inti-Illimani, dos Quilapayun e outras bandas e artistas da "Nueva Cancion Chilena", forçadas a saír do Chile para continuar as suas lides musicais no êxilio os «Sol y Lluvia» permaneceram no seu país. 



Fizeram e levaram sempre a sua música, a partir da clandestinidade,  criando verdadeiros hinos, alegres, dançáveis mas com letras profundamnete politicas e humanistas como são por exemplo "En um largo Tour",uma das canções mais célebres, que retrata de um modo poético a realidade cinzenta e dura que as pessoas viveram sob o regime militar nas ruas de Santiago.
"Nnunca más en Chile" é outro dos temas fortes da banda chilena, qual clamor contra a violência do Estado e um compromisso com a memória coletiva para que as atrocidades do passado não se voltem a repetir.
"Adiós, General" uma obra que celebra o alívio da opressão de um regime como o de Pinochet e afirma a esperança nos valores da democracia.. Estas e outras  tantas canções que continuam a ser obrigatórias nos concertos da banda.

sábado, 22 de agosto de 2026

Aterciopelados com 30 anos de carreira

Se há uma banda que provou que o rock em espanhol não precisa de imitar o modelo anglo-saxónico para ser revolucionário, essa banda chama-se «Aterciopelados». Nascidos no coração de Bogotá no início dos anos 90, o duo composto por Andrea Echeverri e Héctor Buitrago transformou a cena musical ao misturar a fúria do punk com a alma da cumbia, do bolero e do folclore colombiano. E com êxito, tanto nos discos, como nas Giras um pouco por todo o planeta, na proximidade com os seus públicos sejam eles jovens e menos jovens de um modo geral.
Mas afinal o que torna os Aterciopelados uma lenda viva que continua a ouvir-se por aí e 2026 não é diferente, com o assinalr dos 30 anos de estrada da banda colombiana. Falar de «Aterciopelados» é viajar no tempo até ao lançamento do álbum “El Dorado” publicado no já distante ano de 1995. Canções como “Bolero Falaz” e “Florecita Rockera” tornaram-se verdadeirios hinos continentais. ‘Andrea Echeverri’, com a sua voz única e estética inspirada na arte popular e kitsch, quebrou todos os moldes da típica frontwoman da época, rejeitando a hipersexualização e celebrando a autenticidade latina.
Um outro elemento não menos importante e diferenciador desta banda de rock, é podemos assim dizer a evolução dos Aterciopelados. O caminho destes rockeiros passou por temas mais espirituais, eletrónicos e marcadamente políticos. Sim porque nada na vida é vazio, inocente ou despido de mensagem, embora alguns o queira fazer crer. Assim, a defesa do Planeta surge em álbuns como «Caribe Atómico», onde a banda alerta para a poluição e a destruição ambiental. O ‘Feminismo sem Filtros’ está patente músicas “Cosita Séria” e “Piernas” quais manifestos de emancipação e amor-próprio. A Paz é outro dos temas fortes ainda para mais num país - a Colômbia, marcado por décadas de conflito armado. tendo a música dos «Aterciopelados» funcionado sempre como um bálsamo de reconciliação e cura socia
l.
 

Com vários Grammys Latinos na bagagem, a banda continua no ativo, provando que o rock alternativo, latino-americano é uma força vibrante, colorida e necessária. Eles não criam apenas música. Têm uma identidade visual e sonora que orgulha toda a América Latina. Nos tempos mais próximos, a banda estará na estrada fazendo a apresentação de novas músicas, inseridas no mais recente álbum de estúdio e décimo da vida da banda, intitulado «Genes Rebeldes». De referir que este trabalho valeu à dupla Andrea Echeverri e Héctor Buitrago, prestigiada nomeação aos Grammy Awards 2026 na categoria de Melhor Álbum Latino de Rock ou Alternativo.
Aterciopelados estão sobretudo a celebrar o 30.º aniversário de «La Pipa de la Paz», um dos álbuns mais importantes e referência maior no rock latino-americano. América Latina, Estados Unidos e Europa, onde Espanha e França se abrem à actuação de Aterciopelados, no quadro desta Gira de 2026. Ponto alto será um concerto histórico a 30 de otubro, em Bogotá, precisamente a sua cidade natal.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

«Casa Sole» abre portas a novos êxitos

Soledad Pastorutti evidencia nesta altura da sua vida artística, grande maturidade. Assinala 30 años de carreira, com incontavél número de êxitos, entre os quais encontramos 4 temas que criou e interpretou na novela “Rincón de Luz”. 




Marcas do seu percurso, vamos encontrar «Poncho al Viento» datado de (1996). É o álbum de estreia da jovem e enérgica cantora argentina que, revolucionou o folclore e  tornou este seu primeiro disco o  mais vendido da história da editora 'Sony Music', naquele país. Um ano depois, surge «La Sole» curiosamente como ainda hoje é carinhosamente chamada a cantora argentina. Este álbum seria de afirmação e confirmação, do valor artístico, da jovem cantante de Arequito. Em 2014, participa em «Raíz » projeto internacional gravado em parceria com Lila Downs e Niña Pastori, vencedor de um Grammy Latino. Os anos passam e 2023 chega com o regresso aclamado às raízes acústicas e do folcolre tradicional pela via Natural tal como a sua vozSoledad Pastorutti é de quem falamos agora..


A solo, como convidada de diferentes bandas, em duetos, junto do público jovem ou adulto ‘‘la Gringa” é acarinhada por todos, no seu país e nos mais distantes cantos do mundo.
Mantém-se fiel as suas origens. Criatividade é coisa que não falta ao “furacão de Arequito” como também ficou conhecida «la Sole», dada a sua energia e capacidades vocais. A cantora da província de Santa Fé, é uma das vozes mais marcantes e defensoras das tradições como o folklore, mas também pioneira na divulgação dos ritmos marcadamente argentinos e gaúchos como acontece com a chacarera, litoralenha, zamba, valsas e tangos.
A veia artística desponta a partir de 1996 e da subida ao palco no ’Festival de Música de Cosquin’, altura a partir da qual, atua em diferentes países. Cruza-se com uma diversidade de artistas de renome internacional, partilha estúdio e canções com cantautores e bandas de referência na música latina.




Livre e fiel aos seus principios e valores, é um dos rostos do movimento filantrópico. Apoiante de vários projetos de educação e ensino de música e dança, destinados a crianças e jovens Soledad Pastorutti está igualmente ligada, com a sua irmã Natália, a ações solidárias promovidas na sua terra natal, Arequito, onde nasceu e continua aliás a viver com a sua família.

Atualmente foco é também «Casa Sole» projeto no qual a mentora apadrinha novos talentos, mistura ritmos, joga com a liberdade criativa de músicos e artistas da pop, da cumbia e da música urbana (como o porto-riqueño Pedro Capó ou Zoe Gotusso, entre outros) de modo a dar uma roupagem contemporânea à música de raiz latino-americana.


Um projeto artistico e audiovisiual ímpar, de Soledad Pastorutti concebido para ser palco de atuações da artista, em parceria com convidados de diferentes gerações e estilos, reinterpretando clássicos da música latino-americana, num ambiente caseiro decontraído que proporciona uma dinâmica tradicional e moderna da boa música latina.